A pergunta "quanto custa um evento corporativo" é, ao mesmo tempo, aquela que mais recebemos e a mais difícil de responder com seriedade. O mesmo evento, na mesma sala, com o mesmo orador, pode custar mil euros ou dez mil, consoante as decisões que se tomam ao longo do caminho.
Este artigo não tem ambição de tabela definitiva. Tem outra ambição: explicar a estrutura de custos típica de um evento empresarial em Portugal, com ordens de grandeza honestas para 2026, para que ninguém negoceie no escuro.
Os intervalos são o melhor que conseguimos dar
Os valores abaixo são indicativos, baseados no mercado português para eventos empresariais (não incluem eventos de larga escala, festivais ou produções com cenografia personalizada). Variam com o fornecedor, horário, sazonalidade, dimensão da equipa, qualidade do equipamento e, em muito, com o nível de redundância contratado.
| Linha de custo | Intervalo típico (€, sem IVA) |
|---|---|
| Aluguer de sala (auditório 100–300 pax, 1 dia) | 600 – 4.500 |
| Som básico (mesa, colunas, 2 microfones) | 350 – 900 |
| Som robusto com line array e técnico | 900 – 3.500 |
| Iluminação cénica (key/fill/back + wash) | 500 – 2.800 |
| LED wall 6×3 m, P3.9, montado e operado | 2.500 – 6.500 |
| Palco modular 6×4 m, 40 cm altura | 450 – 1.400 |
| Interpretação simultânea (2 intérpretes, 1 cabine, 1 dia) | 1.400 – 2.400 |
| Equipamento de interpretação (recetores + cabine) | 600 – 1.800 |
| Tradução remota com QR Code (até 100 participantes) | 550 – 1.400 |
| Fotografia (1 fotógrafo, 4–6 h, edição) | 450 – 950 |
| Vídeo (1 operador + edição resumo) | 850 – 2.200 |
| Streaming profissional (1 plataforma, 1 plano) | 900 – 3.500 |
| Catering coffee break (por pessoa) | 7 – 14 |
| Catering finger food (por pessoa) | 18 – 35 |
| Catering jantar à mesa (por pessoa) | 35 – 90 |
| Hospedeiras (por pessoa, dia) | 110 – 180 |
| Produção e coordenação (10–15% do total) | variável |
Por que duas propostas podem variar 40% no mesmo evento
Quando recebe duas propostas com diferenças significativas para o mesmo briefing, a primeira tentação é assumir que uma está inflacionada. Quase nunca é o caso. As diferenças costumam estar em três zonas que nenhum orçamento descreve em letras grandes.
Qualidade real do equipamento
Há mesas digitais de 800 € e mesas digitais de 30.000 €. Há LED walls com refresh rate de 1920 Hz e walls com 7680 Hz. Há cabines de interpretação ISO 4043 e estruturas improvisadas chamadas "cabine". A linha do orçamento pode dizer a mesma coisa, mas o que chega ao venue é incomparável.
Equipa atribuída
Um técnico sénior com vinte anos de carreira não custa o mesmo que um estagiário. A diferença de valor por ano de experiência pode nem parecer muita, mas a diferença no risco é enorme.
Redundância contratada
Uma proposta que inclui mesa, encoder e linha de internet em redundância é mais cara do que uma proposta que tem um único ponto de falha em cada zona. A primeira aguenta um cabo cortado; a segunda acaba com o evento.
Quanto deve reservar para imprevistos
A margem para alterações de última hora deveria estar sempre prevista (apesar de sabermos que nem sempre acontece). Para eventos empresariais bem planeados, 8 a 12 % do orçamento é uma reserva razoável. Para eventos com prazos apertados ou com várias variáveis em aberto, 15 % é mais realista. Não usar essa reserva é o objetivo; partir sem ela é assumir que nada de inesperado acontece, e a probabilidade de nada de inesperado acontecer é mínima.
A pergunta certa não é "quanto custa", é "o que recebo por este valor"
A diferença entre fornecedores não está apenas no preço final. Está naquilo que o preço inclui: ensaios, reuniões prévias, deslocações, montagem na véspera, técnicos extra, redundância, contingência. Pedir uma proposta com todos esses pontos explícitos é a única forma de comparar de modo honesto.
Quando dois orçamentos parecem iguais, raramente o são. Quando dois orçamentos parecem diferentes, a diferença está, quase sempre, em quem assume o risco no dia do evento. Para entender como esse risco se manifesta em decisões reais, consulte também a lógica invisível por trás da escolha de fornecedores.